quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Tropa de Elite 2 - um tapa na cara de nossa sociedade

Assisti nesse feriadão, em São Luís, ao tão esperado "Tropa de Elite 2" e posso lhes garantir uma coisa: todas as minhas expectativas iniciais foram superadas.

Capa do Filme
Direção, arte, fotografia, figurino, roteiro, etc., tudo se encaixa de uma maneira única, perfeita. Enfim parece que nosso cinema vem achando o equilíbrio entre as grandes produções americanas e a criatividade dos roteiros brasileiros.

No elenco, correspondem as expectatvias as atuações de André Ramiro (Mathias), Maria Ribeiro (Rosane), Milhem Cortaz (Fábio). Surpreendem positivamente: Seu Jorge (Beirada), André Mattos (Fortunato), Fabrício Boliveira (Marreco), Sandro Rocha (Russo) e Irandhir Santos (Fraga).

Irandhir Santos na pele de Diogo Fraga, militante pró Direitos Humanos

Beirada, na excelente interpretação de Seu Jorge

André Mattos, interpretando o cômico aproveitador Fortunato

Wagner Moura, acreditem, está ainda melhor no papel do Capitão, agora Coronel, Nascimento. Mais maduro, Wagner é novamente o personagem central e narrador da trama político/policial.


Wagner Moura, interpretando Coronel Nascimento, agora integrante da elite da Secretaria de Segurança do Rio de Janeiro

No entanto, muito mais do que uma fria análise sobre os seus aspectos técnicos, o filme deve ser visto com os olhos abertos para as questões sociais. No enredo, mais importante do que a exploração da violência urbana desvairada, é um olhar crítico sobre como a segurança pública em nosso país é utilizada para fins politiqueiros.

O narcotráfico, as milícias, a corrupção policial, tudo isso tem um viés político difícil de ser compreendido e combatido por nós.

Aos que acham que o filme exagera na extensão do poder dessas milícias organizadas por policiais corruptos, basta analisar os números das investigações que foram feitas na comunidade carioca Rio das Pedras onde, de acordo com relatório da Polícia Civil, somente os serviços de transporte alternativo (VANS) rendiam aos policiais/bandidos a bagatela de R$ 170.000,00 (cento e setenta mil reais) por dia.

A verdade é que as redes de proteção da polícia e da política que envolvem nossa violência urbana são bem demonstradas por um filme que, não deixando de ser ficção, delata uma dura realidade que precisa ser enfrentada pela sociedade brasileira urgentemente

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