Imperatriz não possui as mais comezinhas condições para que o trânsito possa fluir decentemente, a começar pela ausência de calçadas padronizadas, de ruas com asfalto minimamente decente, de locais e regras para o estacionamento de todos os meios de transporte, de vias específicas para o trânsito de ônibus, bicicletas e carroças, de uma legislação que regulamente dias e horários para que se faça carga e descarga, enfim, falta tudo.
Diante de todos esses problemas, que sem sombra de dúvidas são os principais causadores desse amontoado de pessoas e veículos que chamamos de trânsito, há uma necessidade urgente de que as políticas voltadas a essa situação sejam geridas por pessoas extremamente qualificadas na área e que entendam as causas e efeitos da presença de cada pedestre em nossas ruas.
Há muito o que temos presenciado, infelizmente, é a tentativa desastrosa de falsas autoridades de trânsito, sem qualquer formação técnica na área, em solucionar os problemas de fluidez e segurança de nossas ruas com a simples colocação de sinalização horizontal e vertical, utilizando semáforos como se fossem a solução para todos os problemas o que, em muitos casos, acaba gerando mais uma inconveniência.
A verdade é que Imperatriz não tem feito política de trânsito mas, o que é pior, tem feito política no trânsito. O desenvolvimento dessa cidade passa por pensar em como fazer fluir nosso centro comercial. Não podemos mais nos conformar em uma cidade centralizada em três ruas (Dorgival P. de Sousa, Getúlio Vargas e Bernardo Sayão), chamadas equivocadamente de avenidas.
Mas como pensar nisso se já não temos outras ruas para escoar esse trânsito da parte central da cidade e se também não há como duplicar ou mesmo simplesmente alargar essas ruas devido à ocupação que se tem atualmente?
Entendo que há soluções paliativas que devem ser adotadas imediatamente, mas que também há um trabalho a ser feito a longo prazo e que deve ser iniciado também com urgência, que é o de deslocamento do centro dessa cidade em um outro ponto ainda a ser pensado.
Algumas medidas imediatas são: regulamentação do horário de carga e de descarga de veículos de grande porte, determinando que esse procedimento seja feito somente à partir das 18h; aumento do número de vias que dão acesso à parte central a partir da BR-010, investindo no melhoramente de ruas que cortam, por exemplo, os bairros Três Poderes e Mercadinho; retirada de alguns semáforos e substituição por outras formas de controle de tráfego, como a necessidade de se fazer retornos em quarteirões para adentrar em determinada rua.
Para citar um exemplo de como muitas vezes o semáforo acaba atrapalhando ao invés de ajudar, basta verificar o sinaleiro instalado na Av. Babaçulândia, próximo à AABB, entrada para Vila Lobão, Vila Redenção, Conj. Habitar Brasil, etc. Lá temos o chamado semáforo de três tempos, sendo duas controlando cada pista da Babaçulândia e outro na saída dos bairros já citados.
Mais à frente desse semáforo temos a rotatória que dá acesso à FACIMP.
Pois bem, toda as vezes que passo por ali no sentido Imperatriz-João Lisboa/MA fico me perguntando o porque da sinalização dupla na Babaçulândia já que existe aquela rotatória. Hora, se alguém vai no sentido João Lisboa e quer adentrar para a Vila Lobão deve simplesmente fazer o giro no rotatória logo à frente e, após o retorno, fazer a curva a direita diretamente.
Essa é uma ação que, além de barata, faria com que aquele tráfego fluísse melhor e também diminuiria ainda mais os riscos de acidente, já que não haveria a necessidade de se fazer uma conversão cortando a contramão daquela avenida.
Já as ações de longo prazo exigem um conhecimento elevado sobre o tema e devem ser planejadas com muita cautela e sempre levando em consideração as previsões de desenvolvimento econômico de Imperatriz para o futuro. Mas de uma coisa temos certeza: o centro dessa cidade precisa começar a ser deslocado para um outro ponto ainda não habitado, de preferência o outro lado da BR-010, como toda aquela gigantesca região atrás da antiga Coca-Cola (Jardim Tropical e demais bairros).
Ali existem imensas áreas onde poderiam ser instaladas diversas empresas e bancos. Mas para isso é preciso uma política de investimento séria, primeiro com a realização de toda a urbanização da área (saneamento, asfaltamento, iluminação) e depois com a concessão de incentivos fiscais para que os grandes empresários dessa cidade pudessem se sentir motivados a sair de onde já estão instalados para um novo endereço..
É claro que isso deve ser feito com cautela e, como já dito, com muito planejamento. A certeza que temos é a de que nosso trânsito já está enfermo, à beira da morte e, para curá-lo é preciso muita inteligência, força de vontade e, acima de tudo, coragem.