quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Hipocrisia virtual

Tem me assustado a forma como a campanha presidencial tem acontecido este ano no Brasil, principalmente quando o assunto é a internet.

Acho de fundamental importância que a democracia possa ser exercida plenamente em todas as suas formas e em todos os seus meios, inclusive o da rede mundial de computadores, mas é preciso entender que desse argumento não se pode fazer um alvará dando liberdade para qualquer tipo de agressão, mentiras, chacotas ou boatos.

Que se discutam os temas de maneira direta, frente a frente
Um exemplo claro dessa forma deturpada na qual estão utilizando a propaganda virtual é o tratamento do tema "aborto". Não quero aqui, pelo menos nesse momento, colocar meu ponto de vista sobre o tema, e também não quero deixar de perceber a importância dele para um país de maioria católica e com outra grande parte de evangélicos.

O que é preciso entender, porém, é que se José Serra ou Dilma Roussef querem, de fato, colocar esse assunto em pauta, devem fazê-lo de maneira direta, clara e através de seus programas de rádio e TV.

Aliás, alguém por acaso já viu algum desses candidatos trazer esse tema à tona nos debates já ocorridos nestas eleições? Não, né verdade?! E sabe porque isso? Porque ambos, tanto a petista quanto o psedebista são sim a favor da legalização da prática abortiva. Isso mesmo, ambos pensam sim o aborto como uma prática que deve ser tornada lícita, ainda que com uma regulamentação mais rígida para um, ou menos para outro.

O que importa dizer é que a propaganda eleitoral deste ano, principalmente a praticada pela internet, tem servido muito mais como contrapropaganda da vida dos adversários, muitas vezes inclusive a vida pessoal, do que como instrumento de elevação do debate quanto aos temas de maior relevância para nossa sociedade, como: saúde, educação, economia, saneamento básico, segurança e meio-ambiente.

É importante abrir os olhos para essa situação. A hipocrisia, principalmente a forjada, não pode dar o tom na discussão das melhores propostas para o país. Que discutamos o aborto, a homosexualidade, os mensalões da vida, tudo, mas que o façamos da maneira grandiosa como é a idéia de um país desenvolvido que sonhamos. 

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