Como já disse antes, sou completamente favorável à decisão do TSE que cassou o mandato do Governador do Maranhão, Sr. Jackson Lago.
Mas não posso deixar de observar que, apesar de ser uma evolução do judiciário brasileiro esse tipo de decisão, é preciso ainda que o Tribunal evolua quanto ao procedimento adotado.
O fato de um governador ser cassado e, mesmo contraditoriamente, ser mantido no cargo por conta da eventual propositura de um recurso, é extramamente prejudicial ao Estado.
Vejamos o nosso caso, por exemplo. Depois do julgamento que decidiu por sua cassação, o ainda Governador Jackson Lago, na consciência de ser praticamente impossível a reversão do quadro, tem utilizado, assim como o fez nas eleições, a máquina administrativa simplesmente para satisfazer suas próprias vontades.
Assim o fez quando, em uma clara tentativa de "estourar" o orçamento para inviabilizar uma futura administração da próxima gestão, convocou os prefeitos aliados (e somente eles) para liberar recursos de forma insdiscriminada, imoral e, porque não dizer, ilegal.
Durante seus quase dois anos e meio de mandato, o Governador jamais havia adotado tal postura e, somente agora, justamente no pequeno período que ainda tem como administrador do Estado, resolve abrir os cofres para financiar supostas obras e programas nas Prefeituras que formam sua base de apoio em todo o Maranhão.
E os exemplos desse tipo de postura, completamente maléfica à sociedade maranhense, não param por aí. Agora o Governador vem a Imperatriz e anuncia a prematura inauguração de uma obra, originada ainda no Governo Zé Reinaldo, e que ele mesmo intitulou de "Ponte da Liberdade" (antes da cassação era chamada de "Ponte da Amizade").
Não estou aqui defendendo que as obras já acabadas não possam ser inauguradas pelo ora Governador. O que revolta é saber que a inaguração é apenas de fachada, pois, segundo o que os próprios membroso do governo dizem, a ponte só poderá ter condições de trafegabilidade a partir de, no mínimo, julho.
Para se ter uma idéia do absurdo praticado,, até o presente momento as vias que darão acesso à obra não tiveram sua estrutura sequer iniciadas. Ou seja, se a partir de amanhã qualquer cidadão maranhense quiser utilizar a ponte para chegar até o Tocantins, terá que dar meia volta e pagar a velha e conhecida balsa.
Aliás, essa não é a primeira obra inacabada entregue pelo Governador após a cassação. No dia 11.09 os moradores do Residencial Rio Anil, oriundo do PAC do Governo Federal, denunciaram à TV Cidade (Record), em São Luís/MA, que os apartamente foram entregues ainda sujos, com bastante infiltração e vazamentos, além de ainda não haver no local o indispensável abastacimento de água.
Só para exemplificar o quanto os apartamentos ainda não tinham condições de serem entregues, uma moradora denunciou que seu filho, que pesa no máximo 10 kg, caiu de uma rede depois que a escápula descolou da parede.
Ora, se o TSE constatou que o Governador Jackson Lago, ao lado de seus "comparsas", utilizaram a máquina do Estado para favorecimento em campanha, já deveria ter concluído que o mesmo aconteceria agora, quando o compromisso dele com a saúde financeira do Estado praticamente inexiste.
Enfim, esse tempinho que Jackson Lago ganhou após a cassação vai deixar sérias e profundas marcas na Administração do Estado.
Nenhum comentário:
Postar um comentário