Eu, com neto, recebi de minha avó Leonor o privilégio e responsabilidade de herdar a biblioteca pessoal do Vovô. Após algum breve período dos livros dentro das caixas, resolvi agora que aos poucos, enquanto não estruturo um local adequado aqui em casa, vou ler algumas dessas raridades que ainda não havia lido.
E o primeiro livro que peguei de uma das caixas, sem usar qualquer critério de escolha, foi a autobiografia de Pablo Neruda, escritor chileno ganhador do Prêmio Nobel de Literatura de 1971. Folheando o livro antes de começar a lê-lo, encontrei o seguinte trecho destacado por Vovô:
(...) "É verdade que o mundo não se limpa de guerras, não se lava de sangue, não se corrige do ódio. É verdade. Mas é igualmente verdade que nos aproximamos de uma evidência: os violentos se refletem no espelho do mundo e seu rosto não é bonito nem para eles mesmos. E continuo acreditando na possibilidade do amor. Tenho a certeza do entendimento entre os seres humanos, logrado sobre o sofrimento, sobre o sangue e sobre os cristais quebrados". (...) (Pablo Neruda)
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| foto tirada no dia do meu casamento |
Por nunca ter sido um homem de "muitas posses", como ele mesmo dizia, vez em quando algum contemporâneo seu lhe perguntava o porque um advogado e jornalista das décadas de 60, 70, 80 e 90 não conseguiu ficar rico em Imperatriz, como ocorreu com diversos outros.
Sempre bem humorado e sem rodeios, como lhe era peculiar, a resposta de Vovô era sempre uma só: "todo os dias da minha vida posso colocar a cabeça no travesseiro e dormir em paz".
E assim era realmente que ele pensava. Se satisfazia completamente com o fato de ter conseguido criar todos os seus 12 filhos sem ter perdido nenhum para a malandragem ou outras dificuldades da vida. Sua felicidade passava pela simplicidade das coisas do dia a dia, mas que estavam sempre relacionadas com a presença e união da família: pão com café todas as noites, almoço aos domingos e as infalíveis partidas de baralho com esposa, filhos, netos, genros e noras (que também eram tratados como filhos).
Foi um perseguidor implacável da educação, mas sempre deixou bem claro que mais valeria um analfabeto com princípios morais bem estabelecidos do que um mestrado sem qualquer compromisso com a honestidade.
A verdade é que meu avô foi um homem inigualável, indescritível e sempre foi e será a maior fonte de inspiração de todos os seus filhos e netos, sem qualquer exceção.
Obrigado Vovô por todos os exemplos de idoneidade, franqueza, amor, responsabilidade e respeito. Tenho a plena certeza que, daí, ao lado de nosso Deus, o senhor continua a guiar nossos caminhos aqui embaixo.
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Primo, essas palavras e, principalmente a foto do vovô no dia do seu casamento me fizeram chorar...Uma expressão tão cândida no rosto dele, como sempre era.
ResponderExcluirEsteja certo da esperança que temos de poder revê-lo em breve aqui mesmo na Terra, de acordo com João 5:28,29.
É o que todos os que o conheceram aguardam!
Saudades...
beijos da prima